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redesenhando a carta-resposta como parte do ciclo de garantia

era pra ser a digitalização de um formulário de satisfação pós-venda. a pergunta “como sei que é mesmo o cliente?” mudou o rumo do produto. o cliente final virou a força que faz a franquia regularizar a venda.

meu papel
product designer
período
4 meses
time
eu + engenharia
plataforma
web
Tela inicial do portal garantias.igui.com, com o formulário de busca da garantia.

de onde partiu

contexto

a carta-resposta era um formulário de papel de satisfação pós-venda. perguntas sobre a compra e a instalação, que o cliente devolvia pelos correios depois que a piscina ficava pronta. era pesquisa de satisfação. não tinha nenhuma relação com garantia.

em 2025, a taxa de retorno da carta física foi de 0,63%. o escopo inicial era de tirar esse formulário do papel para ele parar de depender dos envios físicos para a franqueadora.

atribuição

meu papel

fui o único designer do projeto e não havia PM. a priorização e o racional de produto também foram meus.

fiz
pesquisa · arquitetura de informação · fluxos · protótipos · handoff
dividi
validação jurídica com o time legal; escopo com a liderança

o que apareceu

o problema

o problema declarado era pequeno. quase ninguém devolvia a carta. mas ao desenhar a versão digital apareceu uma pergunta banal. como saber que quem responde é mesmo o cliente? a resposta veio da garantia, pelo número e pela data da compra. foi puxando esse fio que o problema apareceu.

a garantia é obrigação legal e nasce da venda, mas quem a fazia valer era o franqueado. cabia a ele finalizar e associar a venda no sistema. em 2025, de cada 100 piscinas iGUi vendidas, 2 chegaram ao estado de garantia corretamente vinculada. 74,3% nunca foram sequer registradas.

processo

* como o projeto mudou de assunto4 etapas

  1. 01

    escuta

    conversei com quatro áreas internas e cruzei com os dashboards de venda. o escopo ainda era só tirar o formulário de satisfação do papel.

  2. 02

    a virada

    como garantir que quem responde é mesmo o cliente? a resposta estava na garantia. número e data da compra viraram a chave de identidade, e o projeto mudou de assunto.

  3. 03

    o fio

    amarrar a resposta a uma venda real expôs quantas vendas nunca eram finalizadas. o formulário de satisfação virou a porta de entrada de um problema de operação.

  4. 04

    handoff

    protótipo no figma, documentação de especificações das jornadas e acompanhamento com a engenharia.


decisões

* por que assim4 decisões

  1. Tela de busca da garantia, pedindo número da garantia e data da compra.

    a identidade vem da própria garantia

    número de garantia mais data da compra amarram a resposta a uma venda real e rastreável. era só uma solução de autenticação, e foi ela que mudou o produto de assunto.

  2. Painel do cliente listando os produtos cadastrados e o estado de cada garantia.

    a garantia é a desculpa que traz o cliente para dentro

    nem regra nem cobrança interna faziam o franqueado finalizar a venda. o cliente quer a garantia dele funcionando, e esse é o incentivo mais forte da cadeia. validar a garantia é o pretexto que traz ele para dentro do processo. ao responder, ele aciona a conferência e força a regularização antes de seguir.

  3. Diagrama da verificação da garantia, ramificando conforme o estado da venda no sistema.

    o formulário revela só o que a venda permite

    campos progressivos, abertos conforme o estado da venda. o cliente não precisa entender a complexidade interna do sistema para completar o fluxo.

  4. Tela de erro para garantia inconsistente, explicando o próximo passo.

    desenhei para o estado quebrado como caminho principal

    no baseline, a venda finalizada e consistente era o cenário minoritário. tratei a inconsistência como a jornada primária. cada mensagem diz o que acontece a seguir, além do que deu errado.

resultados

* o que mudoujan–jun 2026 vs. 2025

+85%

ritmo mensal de respostas

físico 12 meses vs. digital 5,5

~7x

correções por semana

de menos de 1 para cerca de 7

92,3%

conversão de quem entra no fluxo

de cada 100 que abrem o formulário, 92 concluem · jan a jun de 2026

próximos passos

o próximo passo está antes do formulário. os 92,3% medem quem já entrou nele, e o que decide o resultado agora é fazer o cliente dar o primeiro passo. é para lá que vai a próxima rodada.


o que ficou

aprendizados

um projeto pequeno pode virar outro no meio do caminho. o que mudou tudo aqui foi uma pergunta de identidade, e ela apareceu no meio do desenho da tela. estudando o problema de longe, eu não teria chegado nela.

faria diferente numa coisa: teria definido as métricas antes de lançar. o registro de tickets só entrou semanas depois do go-live, e isso deixou um ponto cego bem no começo da medição.

exceção nem sempre deve ser tratado como detalhe. era justamente no caminho da inconsistência que o produto gerava valor.

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